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Resenha | Paraíso | Deyse R. Nicoli

Título: Paraíso
Autora: Deyse R. Nicoli
Editora: Novo Século
Páginas: 400

Avaliação:

Está é a história de uma mulher como muitas outras. Marcada por suas tragédias pessoais, cansada, sem expectativas ou sonhos, Débora deixa sua família e parte em busca de uma nova vida. Sua fuga a levará a um lugar distante de tudo o que ela conhecia. Uma grande fazenda, localizada na pequena cidade de Vila Paraíso. O lugar a surpreende de diversas maneiras. A paisagem é de tirar o fôlego, o novo trabalho é tudo o que ela precisava, e as pessoas, a extensão de sua própria família. Tudo parecia perfeito, mas Marcos, um dos donos da fazenda, vai macular a perfeição desse Paraíso. Ele fará de tudo para afastar Débora de sua fazenda, transformando a tranquilidade de sua nova vida numa sucessão de acontecimentos surpreendentes e angustiantes. Os dois irão travar uma batalha visando proteger suas feridas e esconder as cicatrizes que carregam dentro de si. Porém, um poderoso sentimento surgirá entre eles, fazendo-os abandonar seus princípios e questionar sua própria sanidade. Poderá esse sentimento apagar todas as cicatrizes que eles carregam?

Resenha

Apaixonante e apaixonado. Esta é a impressão que Paraíso me deixou. É um livro extremamente gostoso de se ler. É romance ao pé da letra!

Fiquei apaixonada pelos personagens, todos eles bem construídos e bem marcados. O lugar nem se fala. Dá uma vontade enorme de conhecer a cidade de Vila Paraíso e a Fazenda Bela Vista. Sou mineira do sul de Minas então sabem como estes ares de montanhas me encantam...

Paraíso é um livro calmo, transmite um sentimento de amor e de carinho. Existem passagens tensas e demarcadas por intrigas, ciúmes e maldade, mas estas cenas são resolvidas rapidamente, sem prender o leitor por diversas páginas até que o "bem triunfe sobre o mal". Na maioria delas somos presenteados por relatos de uma vida quotidiana com carinho, dedicação, amor e partilha. Mostra o dia-a-dia de uma enorme fazenda e, claro, os perfis dos personagens que por ali vivem ou passam. É escrito de uma forma tão cativante que um capítulo puxa o outro e simplesmente não dava para parar de ler. Queria saber o que aconteceria em seguida.

Quando algo ruim estava prestes a acontecer a autora dava alguns sinais que os veteranos leitores de romance perceberiam com muita facilidade (dicas subliminares, como quando o autor comenta de forma displicente sobre uma casca de banana que caiu para, nas páginas seguintes, inserir um tombo homérico). É uma característica natural do gênero e não soou mecânico ou sem propósito... Fiquei contente com o que li neste sentido.

A única coisa que me incomodou um pouco foi o fato de algumas cenas quotidianas serem um tanto quanto repetitivas, motivo pelo qual dei nota 4 e não 5 para a trama. Era uma sequência um pouco paulatina de 'cafés da manhã-almoços-jantares-festas de comemoração'. Veja bem, eu entendo que, por ser um retrato da realidade, estas cenas de junção de pessoas são necessárias. Na vida real são nestes momentos que as pessoas se encontram, não é? Só que a mim incomodou um pouco.

Os personagens centrais da trama - Débora e Marcos - são apaixonantes. Ela meio que atrapalhada, marcada por uma vida sofrida, adulta com jeito de menina perdida. Um tanto quando inconstante e assustada, mas que tem rompantes de decisão e de audácia. Ele um homem de tirar o fôlego, destes que são apaixonantes por natureza, mas com uma casca dura que o recobre por conta de uma decepção muito grande no passado. É duro e frio, mas a autora consegue mostrar que, apesar desta dureza toda, é um grande homem. Parabéns para Deyse que conseguiu mostrar duas características tão controversas num só personagem sem parecer forçado demais quando um ou outro perfil dele é apresentado.

O desenvolver da estória é muito lindo. No momento que acontece o que todos esperavam, estranhei. Parecia que tinha um tom de "e viveram felizes para sempre", mas tinham muitas páginas ainda pela frente! Pronto, quem disse que consegui parar para tomar água após chegar nesta parte? Se as coisas se ajeitaram e tem muita página ainda, é porque tem muita coisa para acontecer! Tive de ler num fôlego só!

Pois bem... Eu não vejo novela há anos, mas acho que as coisas ainda acontecem mais ou menos do mesmo jeito: tudo muito enrolado até o penúltimo capítulo, e aí em dois dias tudo se resolve, todos os fios soltos são amarrados e termina. Ufa! A gente mal consegue respirar e acaba até perdendo muita coisa de tão rápido que acontece. Em Paraíso este acerto de todos os detalhes finais não acontece em meia dúzia de paginas... Achei lindo, porque assim a gente consegue saborear um pouco mais as delícias da felicidade dos personagens... Fiquei encantada. Dá vontade de ser, nem que fosse um dia só, a personagem Débora em pele e osso!

A diagramação é bem feita, fonte em tamanho bom e páginas amareladas. Encontrei 2 erros de grafia ao longo de toda a leitura. Os capítulos possuem um tamanho médio. Não são dos pequenininhos, mas não são grandes a ponto de incomodar a leitura. 

Se recomendo? Com certeza recomendo a todos e a todas que gostam de uma boa paixão. ;)

Resenha | 72 Horas para Morrer | Ricardo Ragazzo

Título: 72 Horas para Morrer


Autor: Ricardo Ragazzo


Editora: Novo Século


Páginas: 254

Sinopse:


Pior do que conhecer um Serial Killer, é um Serial Killer conhecer você! “O Carro pertence à sua namorada.” Com essas palavras, Júlio Fontana, delegado da pacata cidade de Novo Salto, tem a vida transformada em um inferno. Pessoas próximas começam a ser brutalmente assassinadas, como parte de uma fria e sórdida vingança contra ele. Agora, Júlio terá que descobrir a identidade do responsável por esses crimes bárbaros, antes que sua única filha se torne o próximo nome riscado da lista. 72 Horas para Morrer é uma corrida frenética contra o tempo, que prenderá o leitor do início ao fim.



Resenha:


Eletrizante e chocante. Estas palavras definem o que senti ao longo das 254 páginas deste livro. É preciso até um cuidado especial ao resenhá-lo para não soltar spoilers aqui sem querer.

72 Horas para Morrer é um triller policial com uma pitada de audácia. É, audácia por parte do autor em inserir alguns elementos no final que me embasbacaram. É preciso coragem para inserir elementos da forma que ele fez, sem medo da crítica dos mais tradicionalistas (tudo tem de ser uma sequência só, lógica, do começo ao fim). Eu, particularmente, me assustei um pouco e pensei: ahh, não!!! Estragou tudo!!!! Mas não. Havia me enganado. Ricardo é inteligente e conseguiu amarrar tudo sem ficar bizarro demais e me ganhou! Realmente é muito bom no que faz!

Durante todo a trama uma infinidade de situações e reações acontecem, de forma que o leitor não consegue parar. Sabe aquele momento de calmaria que acontece em muitas histórias policiais, logo após um fato muito assustador e inusitado? Então, não o encontrei aqui. 72 Horas para Morrer é elétrico do começo ao fim e não dá tempo para a "paradinha para ler depois". Eu não consegui parar, li numa toada só...

O Estrondo fez com que Tarso quase caísse da cama. Olhou para o despertador como se fosse ele o responsável pelo susto. O relógio mostrava uma hora, e não devia tê-lo despertado antes das sete. O sono que o dominava só desapareceu no momento em que o primeiro homem entrou no quarto.

Os personagens são bem apresentados, de forma que consegui identificá-los com facilidade... Coisa que nem sempre é possível em livros policiais, porque sempre tem aquela peça chave na trama que o autor só apresenta uma carinha dele no meio do nada e lá no final ele faz toda a diferença né? Aqui eles são bem marcados, gostei muito disso. 

Falando em personagens bem marcados, como Julio é irritadiço! Meu Deus! Digno mesmo de perfil de delegado! hahahaha. Agora, palmas para a sua filha, Laura. Ô menina chata! Insuportável! Se Ricardo queria criar uma personagem que dá raiva, conseguiu perfeitamente. Ela irrita! Muito.

As pontas soltas ao longo da trama, obrigatórias no gênero, são bem costuradas no final (este final audacioso que falei). Só a absolvição final de um fato é que achei que foi meio forçado demais... Mas era preciso, senão teria de ter 72 Horas para Morrer parte 2! Não ia dar certo mesmo, eu acho. Mas perdoo o autor, devido à sua genialidade em todo o restante. ^^

Cenas fortes, mal entendidos que custaram vidas, pessoas capazes de qualquer coisa, intolerância, violência e uma capacidade extraordinária para mostrar até onde vai a tal da "sede de vingança" marcam o enredo. 

A diagramação é bem feita, capítulos não muito pequenos, mas divididos em cenas. Páginas das boas (amareladas) e uma capa bacana, que não diz nada do livro, mas que condiz com seu aspecto sombrio em diversos momentos. Se quiser um livro que te prende, este é leitura obrigatória!

Dica: Tome sempre muito cuidado com brinquedos escondidos em sótãos ou porões... Por quê? Ahhh, vai ter de ler.... ;)

Este livro chegou em minhas mãos através do Book Tour realizado pelo blogueiro parceiro Adriano Gutemberg, do blog Geração Leitura.Com, em parceria com o Autor.