Título: Mago Mestre
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 432
Avaliação: 

A saga épica de Midkemia continua… Passaram-se três anos desde o terrível cerco a Crydee. Os três rapazes que eram os melhores amigos do mundo encontram-se agora a quilômetros de distância. Pug, um escravo dos Tsurani, está prestes a se tornar um dos maiores magos que já existiram. Tomas, um grande guerreiro entre os elfos, arrisca-se a perder sua humanidade para a armadura encantada que veste. Arutha, príncipe de Crydee, luta desesperadamente contra invasores e traidores para salvar seu reino. Mago Mestre é recheado de aventura, emoção e ameaças tão antigas quanto o próprio tempo. Com o segundo volume de A Saga do Mago, Raymond E. Feist volta a provar que é um dos maiores nomes da literatura fantástica na atualidade.
Em Mago – Mestre, o leitor se depara com a continuação das guerras e batalhas encontradas no primeiro. Agora Pug, há três anos vivendo como escravo, precisa aprender mais do que o que conseguiu como aprendiz de Mago. Precisa aprender a sobreviver, precisa aprender mais sobre as questões do coração, agora com desejos e dúvidas mais adultas do que quando vivia em Crydee e se apaixonara pela princesa Carline, precisa aprender a invocar e controlar seus poderes. Neste volume há mais ação e movimento do que no primeiro.
Agora a aventura de fato começa e as narrativas, ainda existentes e extensas, são mais recheadas de ação, tornando este volume mais ágil de se ler. Mas ainda há excesso de informação. São tantos clãs, tribos, regiões, nomes e povos que senti uma vontade enorme de fazer anotações e criar uma árvore genealógica dos personagens, além de anotar no mapa (que acompanha o volume 1) quem domina onde e onde quem quer conquistar. Mas no fim consegui acompanhar tantos elementos sem maiores problemas.
O que mais me cativou neste segundo volume da série foi a transformação de Pug em Milamber, um Grande. Este é sim um livro de aventura e magia. Mas é uma versão muito mais madura e consistente de aventura e magia do que os que estamos vendo ser publicados recentemente. A transformação de Pug ao longo de seis anos sob os cuidados de magos conhecidos como Grandes foi muito bacana. Nada de sons, raios, cores, trovões e redemoinhos. Não, sua transformação foi muito mais introspectiva, mais profunda, mais ‘cerebral’. E quando sua transformação acontece, bem, torna-se claro o porquê do medo que se tinha dele quando vislumbravam este momento. Pug – ou melhor, Milamber colocaria Marlin “debaixo do braço”. Agora a diferença entre o Caminho Superior e o Caminho Inferior, citados no primeiro volume ficam mais claros:
“Mais do que uma arte, o Caminho Inferior é um talento. O Caminho Superior é destinado a estudiosos.”
Ainda relacionado à magia presente nas páginas deste segundo volume, nos vemos às voltas com um portal. A existência deste portal, sua utilização mal intencionada e os desdobramentos no final do livro ligados a ele fazem parte de mais um elemento mágico bem trabalhado, mas de forma extremamente adulta e séria.
Além da magia, como disse, apresentada mais como um conhecimento do que demonstrada com cenas de poder, o livro é composto por guerras e lutas. Muitas batalhas. Muitas mesmo. Conquista de territórios, luta pelo poder, emboscadas, sangue, vitórias e derrotas. Pareceu-me como aqueles filmes das Cruzadas que a gente mal percebe o fim de uma batalha e outra já se inicia. Prato cheio para os admiradores do gênero. As cenas são rápidas, bem descritas e fazem o leitor se envolver na luta.
Existe também nas entrelinhas um tanto de política e controle monárquico. As batalhas acontecem pela luta de território e em busca do poder. E tais lutas são controladas pelas diretrizes políticas da época e os interesses daqueles que determinam o destino de muitos.
O livro intercala capítulos contando o que acontece com cada um dos três grandes amigos do livro um. Pug, Tomas e Arutha. Cada um em um território diferente, com suas próprias lutas e dificuldades e cada um com sua necessidade de superação. Gostei muito do que vivenciei com Tomas, que precisou lutar contra o poder do valheru, que poderia a qualquer momento controlar sua mente e suas vontades. Em diversos pontos o leitor se depara com fortes ‘discussões’ que Tomas manteve com valheru, em sua mente.
O final me soou muito emocionante, condizente com todo o conjunto do livro. O reencontro dos agora adultos, Carline e Pug é lindo e profundo. Aliás, você não encontrará sutileza ou superficialidade nas páginas da saga do Mago. Tudo é descrito com muito peso e consistência. É um livro maravilhoso, que deve ser saboreado, sentido e entendido. À medida que nos envolvemos com as tribos e clãs, entendemos sua profundidade e passamos a perceber que ele é, de fato, uma Obra-Prima!
Esta resenha foi redigida por mim para o Site Papiro Digital, do qual sou colaboradora. O livro foi cedido pela Editora Saída de Emergência.




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