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Resenha | Destino Mortal, de Suzanne Brockmann [por Nadja Moreno]

Título: Destino Mortal
Trilogia: Destiny - Livro 1
Autora: Suzanne Brockmann
Editora: Valentina
Páginas: 536
Skoob
Avaliação: 


Expulso de um grupo de elite de forma desonrosa, o ex-Navy SEAL Shane Laughlin está com seus últimos 10 dólares no bolso quando, finalmente, consegue um emprego para participar de um programa de testes no Instituto Obermeyer (IO), uma fundação de pesquisas e desenvolvimento desconhecida do grande público e que trabalha com atividades secretas.Logo, Shane descobre que existem certos indivíduos que têm a habilidade única de conseguir acesso a regiões inexploradas do cérebro, com resultados extraordinários, incluindo telecinesia, força sobre-humana e reversão do processo de envelhecimento. Conhecidos como Maiorais, essas raras figuras são criadas ou recrutadas pelo IO, onde, rigorosamente treinadas com o auxílio de técnicas ancestrais, conseguem cultivar seus poderes e usá-los de forma responsável.No entanto, nas profundezas da segunda Grande Depressão dos Estados Unidos, onde o abismo social entre os que têm muito e os que não têm nada ameaça a ordem de forma definitiva, ricaços imprudentes descobriram uma alternativa sedutora na forma de um novo produto: Destiny. Trata-se de uma droga de fabricação quase artesanal, capaz de transformar qualquer pessoa num Maioral, além de oferecer a atração especial de garantir a juventude eterna para o usuário.O cartel sinistro conhecido como a Organização começou a produzir Destiny em larga escala, e a demanda pela droga se tornou epidêmica. Poucos, porém, sabem do verdadeiro perigo da nova droga, e são ainda em menor número os que detêm o segredo sujo do ingrediente crucial para a fabricação da substância. Michelle “Mac” Mackenzie é uma das poucas que conhecem toda a verdade.

Destino Mortal é o livro mais eletrizante que li nos últimos tempos. É tão rápido e a necessidade de saber o que vem em seguida é tão intensa que faz o leitor ficar vidrado em suas páginas, e lê-las de forma voraz.

Aposto que você já se pegou pensando, alguma ou algumas vezes, sobre como seria se os seres humanos usassem mais do que os aclamados e famosos dez por cento da capacidade mental. Pois bem, este livro traz umas nuances de como seria o mundo, caso tivéssemos a capacidade de maior uso do cérebro, ou melhor, maior capacidade de ‘integração neural’. As capacidades apresentadas são inúmeras, extraordinárias e fantásticas.

Porém Suzanne, a autora, traz uma trama que torna tudo absurdamente real! Os poderes gerados por esta capacidade aumentada de integração neural, suas consequências, as óbvias tentativas de alguns grupos de manipular e controlar tal poder, e até mesmo os problemas sociais de um mundo futurista, absolutamente tudo é tão bem montado e interligado que me fez pensar que, de fato, as coisas poderiam mesmo ser como o que está ali descrito.


Os personagens são bem criados e estruturados, personalidades bem demarcadas e senti asco ao imaginar o que se passava na mente de alguns vilões. Mac e Shane são um caso à parte, adorei os dois e o jeito de lidar com os problemas totalmente controverso de ambos. Só me irritei em várias páginas com Mac, mas penso que sua descrença contínua deve ser mais bem embasada nos próximos volumes. A autora deixou vários fios soltos, na medida certa para a curiosidade de ler logo a sequência, sem deixar este volume sem fechamento.

Um outro ponto forte da trama é a sensualidade. A princípio, mas primeiras cenas mais picantes que me deparei, achei que este elemento iria ‘sobrar’ no meio do enredo. É tudo muito futurista e tecnológico, muita ação e adrenalina. Aí pensei que a sexualidade não iria casar bem. Entretanto foi um engano. Como se trata de evolução extraordinária dos poderes e capacidades humanas, é muito fato que a sexualidade estaria ligado a esta evolução toda. A autora consegue apresentar cenas fortes e bem detalhadas sem ficar vulgar nem fugir do contexto. Mesmo a cena que, para mim foi a mais forte de todas, quando apresenta uma relação homossexual.

Em alguns pontos os poderes destes humanos, chamados de Maiorais, se misturam, se intensificam e fiquei aturdida com a criatividade da autora. Às vezes poderia parecer confuso à primeira vista, mas tudo é contado com agilidade e fluidez fazendo que o entendimento do leitor não sofra dificuldades. A história simplesmente entra em nossa mente, quase que em alusão à capacidade de telepatia dos Maiorais das páginas. Magnífico.

O final é empolgante e em algumas vezes era preciso ‘lembrar de respirar’. Me vi tensionando os músculos e pressionando as páginas do livro mais do que gostaria, envolvida pela adrenalina dos fatos. No final tem um brinde genial da editora. Gostei bastante.

Enfim, é um livro excepcional, indicado para os corações fortes e leitores preparados para viver emoções diversas, mas todas elas intensas.

Em se tratando de diagramação, as folhas brancas e a fonte pequena poderiam ter sido um problema em uma história que não prendesse tanto a atenção, felizmente a qualidade da trama minimizou. Não encontrei erros e a capa é bacana, com textura com sensação de emborrachada. Recomendo cuidado ao manusear, para que não fique marcada por alguma umidade das mãos.

Esta resenha foi redigida por mim para o site Papiro Digital, do qual sou colaboradora. O livro foi cedido pela editora Valentina.


Resenha | O Peão, de Steven James [por Nadja Moreno]

Título: O Peão - Patrick Bowers Livro 1
Autor: Steven James
Editora: Cia. Editora Nacional
Páginas: 416
Skoob
Avaliação: 

As aventuras de Patrick Bowers ao longo de cinco livros nos levam por um mundo de violência psicopata. Com uma inteligência acima da média, o agente especial do FBI chega, nessa série, ao limite de suas capacidades, enfrentando criminosos cada vez mais habilidosos. Trazido da Carolina do Norte para ajudar no caso de um serial killer, o agente especial do FBI Patrick Bowers se vê no meio de um jogo de gato e rato. Astuto e letal, o assassino está sempre um passo à frente da lei e está prestes a marcar mais um ponto novamente. Bowers vai ter que usar todos os seus instintos, habilidades e suas modernas e controversas técnicas de criminologia ambiental para deter o homem que se autodenomina o Ilusionista.


Comecei a leitura sob a expectativa de um thriller policial, com um serial killer, seus assassinatos com assinatura e um investigador. O clássico do gênero, que eu particularmente gosto muito. Porém o autor me surpreendeu, trazendo para o enredo vários elementos que complementaram o tradicional do gênero, tornando-o único, ágil e interessante.

O Ilusionsita é o serial killer, que tem - como o próprio nome indica - capacidades que em geral não vemos nos serial killers que nos são apresentados. Isso, aliado à sua extraordinária inteligência, torna-o um assassino difícil de ser lido, interpretado e, consequentemente, encontrado.

O investigador é Patrick Bowers, viúvo, cuidador de sua enteada adolescente e muito perspicaz. A apresentação dos personagens e de suas características físicas e psicológicas são muito bem feitas, facilitando a identificação do leitor. Me fez simpatizar logo de cara com alguns, e antipatizar com outros. Nenhum passa desapercebido.

A trama em si é complexa. Inicialmente, quando novos elementos foram agregados aos assassinatos e investigações, pensei que iria ser uma miscelânea não muito feliz. Porém o autor consegue juntar tudo muito bem, sem deixar que nada soe bizarro ou forçado.

Assassinatos acontecidos há três décadas, política e politicagem, seitas religiosas e fanatismo, inteligência, traumas e relacionamentos tortuosos. Tudo isso se junta nas páginas de O Peão e exige que o leitor se mantenha preso às páginas.

A diagramação faz jus à obra. Capítulos pequenos, alguns chegam a ter meia página, e quando são maiores, são divididos em cenas. Esta formatação agiliza muito a leitura e facilita o entendimento. Nota dez! Falando sobre isso, os acontecimentos mais 'rápidos' e eletrizantes são marcados por pequenas cenas de um e outro fato, acontecendo em conjunto. Não há como negar, o 'vai-e-vem' rápido entre os fatos faz o coração acelerar e a ansiedade do leitor vai às alturas. Perfeito para o gênero!

A capa é condizente com o conteúdo, mesmo não sendo extremamente bonita. Encontrei pequenos erros que não atrapalham a leitura. As páginas são amareladas, fonte e margens no ideal.

O detetive Patrick Bowers está presente em cinco volumes nesta série. Os quatro primeiros já foram publicados pela Cia. Editora Nacional. Os próximos que você poderá ver a resenha aqui pelo Papiro Digital são:

A Torre
O Cavalo
O Bispo

Em suma, recomendo definitivamente a obra. Excelente leitura!

Esta resenha foi redigida por mim para o Site Papiro Digital, do qual sou colaboradora. O livro foi cedido pela Editora.

Resenha | Mago - Mestre, de Raymond E. Feist [por Nadja Moreno]

Título: Mago Mestre
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 432
Avaliação: 

A saga épica de Midkemia continua… Passaram-se três anos desde o terrível cerco a Crydee. Os três rapazes que eram os melhores amigos do mundo encontram-se agora a quilômetros de distância. Pug, um escravo dos Tsurani, está prestes a se tornar um dos maiores magos que já existiram. Tomas, um grande guerreiro entre os elfos, arrisca-se a perder sua humanidade para a armadura encantada que veste. Arutha, príncipe de Crydee, luta desesperadamente contra invasores e traidores para salvar seu reino. Mago Mestre é recheado de aventura, emoção e ameaças tão antigas quanto o próprio tempo. Com o segundo volume de A Saga do Mago, Raymond E. Feist volta a provar que é um dos maiores nomes da literatura fantástica na atualidade. 
Em Mago – Mestre, o leitor se depara com a continuação das guerras e batalhas encontradas no primeiro. Agora Pug, há três anos vivendo como escravo, precisa aprender mais do que o que conseguiu como aprendiz de Mago. Precisa aprender a sobreviver, precisa aprender mais sobre as questões do coração, agora com desejos e dúvidas mais adultas do que quando vivia em Crydee e se apaixonara pela princesa Carline, precisa aprender a invocar e controlar seus poderes. Neste volume há mais ação e movimento do que no primeiro.

Agora a aventura de fato começa e as narrativas, ainda existentes e extensas, são mais recheadas de ação, tornando este volume mais ágil de se ler. Mas ainda há excesso de informação. São tantos clãs, tribos, regiões, nomes e povos que senti uma vontade enorme de fazer anotações e criar uma árvore genealógica dos personagens, além de anotar no mapa (que acompanha o volume 1) quem domina onde e onde quem quer conquistar. Mas no fim consegui acompanhar tantos elementos sem maiores problemas.

O que mais me cativou neste segundo volume da série foi a transformação de Pug em Milamber, um Grande. Este é sim um livro de aventura e magia. Mas é uma versão muito mais madura e consistente de aventura e magia do que os que estamos vendo ser publicados recentemente. A transformação de Pug ao longo de seis anos sob os cuidados de magos conhecidos como Grandes foi muito bacana. Nada de sons, raios, cores, trovões e redemoinhos. Não, sua transformação foi muito mais introspectiva, mais profunda, mais ‘cerebral’. E quando sua transformação acontece, bem, torna-se claro o porquê do medo que se tinha dele quando vislumbravam este momento. Pug – ou melhor, Milamber colocaria Marlin “debaixo do braço”. Agora a diferença entre o Caminho Superior e o Caminho Inferior, citados no primeiro volume ficam mais claros:

“Mais do que uma arte, o Caminho Inferior é um talento. O Caminho Superior é destinado a estudiosos.”

Ainda relacionado à magia presente nas páginas deste segundo volume, nos vemos às voltas com um portal. A existência deste portal, sua utilização mal intencionada e os desdobramentos no final do livro ligados a ele fazem parte de mais um elemento mágico bem trabalhado, mas de forma extremamente adulta e séria. 

Além da magia, como disse, apresentada mais como um conhecimento do que demonstrada com cenas de poder, o livro é composto por guerras e lutas. Muitas batalhas. Muitas mesmo. Conquista de territórios, luta pelo poder, emboscadas, sangue, vitórias e derrotas. Pareceu-me como aqueles filmes das Cruzadas que a gente mal percebe o fim de uma batalha e outra já se inicia. Prato cheio para os admiradores do gênero. As cenas são rápidas, bem descritas e fazem o leitor se envolver na luta.

Existe também nas entrelinhas um tanto de política e controle monárquico. As batalhas acontecem pela luta de território e em busca do poder. E tais lutas são controladas pelas diretrizes políticas da época e os interesses daqueles que determinam o destino de muitos.

O livro intercala capítulos contando o que acontece com cada um dos três grandes amigos do livro um. Pug, Tomas e Arutha. Cada um em um território diferente, com suas próprias lutas e dificuldades e cada um com sua necessidade de superação. Gostei muito do que vivenciei com Tomas, que precisou lutar contra o poder do valheru, que poderia a qualquer momento controlar sua mente e suas vontades. Em diversos pontos o leitor se depara com fortes ‘discussões’ que Tomas manteve com valheru, em sua mente.

O final me soou muito emocionante, condizente com todo o conjunto do livro. O reencontro dos agora adultos, Carline e Pug é lindo e profundo. Aliás, você não encontrará sutileza ou superficialidade nas páginas da saga do Mago. Tudo é descrito com muito peso e consistência. É um livro maravilhoso, que deve ser saboreado, sentido e entendido. À medida que nos envolvemos com as tribos e clãs, entendemos sua profundidade e passamos a perceber que ele é, de fato, uma Obra-Prima!

Esta resenha foi redigida por mim para o Site Papiro Digital, do qual sou colaboradora. O livro foi cedido pela Editora Saída de Emergência.

                                               


Resenha | A Filha do Sangue, de Anne Bishop [por Nadja Moreno]

Título: A Filha do Sangue
Autora: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 430
Skoob
Avaliação: 

O Reino Distorcido se prepara para o cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela ainda é jovem, e por isso pode ser influencidade e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos, inimigos viscerais - sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável.
Comecei A Filha do Sangue acreditando ser mais uma fantasia épica, cheia de magia, povos, crenças, seres e uma pitada de romance. Me deparei com uma história extremamente envolvente e complexa, que tem tudo isso que eu imaginei e mais, muito mais.

Esta não é uma fantasia comum nem tradicional. Foge dos clichês, e foge com tanta maestria que nos desloca do lugar-comum. Faz balançar nossa zona de conforto e chega a assustar em alguns pontos. Tenho certeza que alguns tradicionalistas demais podem torcer o nariz em algumas passagens e sentir o estômago um tanto quanto desequilibrado.

Para dizer sobre o que o livro trata, posso fazê-lo em poucas palavras, com a certeza de que não estarei sendo coerente com toda a sua complexidade. Mas para o leitor ter uma ideia, digo que o livro trata de uma profecia que está prestes a se revelar, e isso faz com o que o Reino Distorcido, em todas as suas nuances, fique abalado. A Filha do Sangue chama-se Jaenelle Angelline tem 12 anos e é a predestinada a ser a Rainha das Trevas, ou simplesmente "Feiticeira". Como toda profecia que se preza, sua chegada causa medo, estranheza, ânsia pelo poder e lutas das 'partes interessadas'. Há quem queira que a profecia se realize, e faz o que pode - e o que não pode, para tal. Há quem abomine sua concretização e não medirá esforços para que ela não aconteça.

O que pode afrontar o leitor mais despreparado nesta leitura, é o contexto todo em que esta profecia se desenrola. Nos deparamos com escravos sexuais. Escravos mesmo, a ponto de sofrerem barbáries nesta área - cenas com um tal de Anel da Obediência me deixaram tonta. Nos deparamos ainda com algumas conversas e situações que podem gerar em alguns uma sensação de pedofilia (não senti isso, estava tudo no contexto, mas sei bem que tem quem vá se incomodar). Existe um tanto de supremacia feminina sobre o gênero masculino e um gênero masculino que satiriza o feminino como forma de retaliação.

E, é claro, existe magia. Confesso que ainda não tinha sentido arrepios ao se falar da magnitude da magia até ler estas páginas. A Feiticeira tem uma magia absurdamente forte. A autora consegue deixar isso muito evidente. Jaenelle é uma menina frágil e condizente com sua idade em alguns pontos, e uma feiticeira poderosíssima em outras, mas tudo isso sem ser controversa. Incrível como Anne conseguiu juntar extremos tão bem marcados num só personagem sem soar bizarro ou forçado.

Aliás, posso dizer que Anne se tornou minha autora preferida no campo de criação de personagens. É magistral! Soberbo! Terminei o livro apaixonada pelos personagens, em especial a Jaenelle, mas todos me encantaram por sua veracidade, a despeito de toda fantasia envolvida. Os três poderosos que partilham o protagonismo da história com Jaenelle - Saetan, Lucivar e Daemon - são sátiros e cruéis, mas ao mesmo tempo apaixonantes, reais e até um tanto quanto humanos. Difícil de depreender isso? Sim, também achei.

A história se desenvolve em ambientes diferentes, há viagens entre o Inferno - o mundo dos mortos, e Terreile - a terra dos vivos. A morte, inclusive, possui várias instâncias e morrer na carne quer dizer somente uma transição de estágio. As viagens são feitas através de teias, o que não é regra para a Feiticeira, que tem seus próprios meios.

A Trilogia das Joias Negras tem este nome porque toda a magia e a hierarquia de poder que definem a história e os personagens são baseadas em uma escala de cores de joias. Se juntarmos isso com a complexidade dos personagens, poderia dizer que para contextualizar bem no enredo o leitor teria que ler duas vezes esta obra. Para ajudar neste quesito, existe uma breve descrição de cada personagem e a hierarquia das joias no início do livro, antes da história propriamente dita. Muito providente. Voltei algumas vezes a estas informações para me situar.

A diagramação é perfeita, como toda diagramação encontrada nos livros da Saída de Emergência. Inclusive, gostaria de registrar o fato de que até hoje não li sequer um só livro medíocre nesta editora. Todos são fortes, complexos, densos e muito bem feitos. A capa é um show à parte, embora a imagem da Feiticeira na capa não se pareça com a imagem que criei dela ao longo da história. Prefiro manter na memória a Feiticeira que eu mesma criei.

Sinto que teria muito mais o que dizer sobre a obra, mas para que não se torne uma resenha exageradamente grande, e para me prevenir não soltar spoilers, paro por aqui. Sugiro que leia. Desamarre-se, abra a mente e leia. Não irá se arrepender.

Ahh, quer conhecer mais opiniões sobre este livro? Leia então a resenha da minha amiga Dani Casquet, clicando aqui!



Esta resenha foi redigida por mim originalmente para o Site Papiro Digital, do qual sou colaboradora. O livro foi cedido pela Editora.


Resenha | Mago - Aprendiz, de Raymond E. Feist [por Nadja Moreno]

Título: Mago - Aprendiz
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 432
Skoob
Avaliação: 
Na fronteira do Reino das Ilhas existe uma vila tranquila chamada Crydee. É lá que vive Pug, um órfão franzino que sonha ser um guerreiro destemido ao serviço do rei. Mas a vida dá voltas e Pug acaba se tornando aprendiz do misterioso mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para sempre. Com sua coragem, Pug conquista um lugar na corte e no coração de uma princesa, mas subitamente a paz do reino é desfeita por misteriosos inimigos que devastam cidade após cidade. Ele, então, é arrastado para o conflito e, sem saber, inicia uma odisseia pelo desconhecido: terá de dominar os poderes inimagináveis de uma nova e estranha forma de magia… ou morrer. Mago é uma aventura sem igual, uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde conhecemos culturas exóticas, aprendemos a amar e descobrimos o verdadeiro valor da amizade. E, no fim, tudo será decidido na derradeira batalha entre as forças da Ordem e do Caos.

Mago: Aprendiz é um livro que não foge à regra de ‘primeiro livro de uma série’. Não é incomum que o primeiro livro seja um tanto quanto maçante. Neste volume vivi uma leitura lenta e um pouco arrastada devido a apresentação de tantos elementos e tantos personagens para dar toda a contextualização que o autor queria para a trama. São elementos mágicos para ninguém botar defeito! Temos magos, trolls, anões, duendes, dragões, elfos e tantos mais. Além disso, ainda tem o agravante de que o autor é bastante detalhista em suas descrições. Veja o exemplo:

Atrás dele encontrava-se uma menina de cerca de seis ou sete anos, grandes olhos verdes e cabelos escuros de tons ruivo-acastanhados presos com uma rede prateada. O vestido era simples, mas de aspecto elegante, feito de tecido vermelho e renda branca nas mangas. Tinha um rosto encantador, embora sua expressão concentrada fosse de uma seriedade cômica.

Estas descrições detalhadas fizeram com que o livro não me permitisse uma leitura fluída, porém contribuíram bastante para que eu mergulhasse nos cenários da trama. Eu praticamente sentia a aspereza do chão nos caminhos percorridos por Pug. Lugares misteriosos, exóticos e mágicos compõem a saga deste jovem aprendiz de mago.

Pug é um garoto que tem a vida decidida pelo destino. Sua arma mais poderosa começa a se desabrochar neste livro, porém a magia propriamente dita deve estar inserida nas páginas dos próximos volumes. Neste momento, infelizmente, a magia é pouco abordada. Mostra que ela está presente no dia-a-dia de alguns personagens, mas é como se ela fosse algo ainda pouco entendido e conhecido até mesmo para os magos. Pug possui um tipo de magia diferente e, claro, mais poderosa do que se conhecem, mas são bastante raras as suas aparições.

Batalhas épicas muito bem descritas marcam os pontos mais dinâmicos e intensos do livro. Em alguns momentos chegam a dar palpitação ao leitor que mergulha na história. Enxerguei muitas vezes traços de Tolkien na leitura… Lembra imagens de O Hobbit e de Senhor dos Anéis. Os fãs destas sagas não podem perder este livro. Tenho certeza que vão se apaixonar.

Achei uma graça a amizade entre Pug e Tomas e o amor complicado e controverso com a princesa Carline. Sentimentos que complementam a aventura e magia do livro. Estes aspectos me fizeram ir até o fim da trama e desejar conhecer o que vem em seguida.

Mago: Aprendiz é o primeiro livro da Saga do Mago, que contém 4 volumes. Originalmente foi lançado em 1982. Em 1991 o autor faz um novo lançamento, uma edição revisada. No início do livro encontramos um prefácio onde o autor comenta sobre algumas mudanças em relação à primeira edição que me deixaram curiosa para ler e comparar as obras.

O segundo volume já foi lançado no Brasil também pela Editora Saída de Emergência. Os volumes 3 e 4 estão prometidos para os próximos meses. A ideia da Editora é não deixar seus leitores muito tempo pendurados na fila da espera pelo próximo volume e eu acho isso fantástico!

Recomendo a leitura.

Esta resenha foi redigida por mim para o site Papiro Digital do qual sou colaboradora.

Resenha | Fios de Prata | Raphael Draccon

Título: Fios de Prata - Reconstruindo Sandman
Autor: Raphael Draccon
Editora: Leya
Páginas: 352
Skoob
Avaliação:

Mikael Santiago realizou o sonho de milhares de garotos. Aos 22 anos era o jogador brasileiro com o passe mais caro da história do futebol. Mas à noite os sonhos o amedrontavam. Às vezes, o que está por trás de um simples sonho – ou pesadelo – é muito maior que um desejo inconsciente. Há séculos, Madelein, atual madrinha das nove filhas de Zeus, tornou-se senhora de um condado no Sonhar, responsável por estimular os sonhos despertos dos mortais. Uma jogada ambiciosa que acaba por iniciar uma guerra épica envolvendo os três deuses Morpheus, Phantasos e Phobetor, traz desordem a todo o planeta Terra e ameaça os fios de prata de mais de sete bilhões de sonhadores terrestres. Envolvido em meio a sonhos lúcidos e viagens astrais perigosas, a busca de Mikael pelo espírito da mulher amada, entretanto, torna-se peça fundamental em meio a uma guerra onírica. E coloca a prova sua promessa de ir até o inferno por sua amada.

Este livro me causou um turbilhão de sensações. Certamente porque este substantivo o retrate muito bem. A princípio isso me incomodou bastante, mas a sequencia dele foi tão bem elaborada, inteligente e diferente que decidi que ele é sim um livro excelente e que merecia suas cinco estrelas, mesmo com algumas coisas que eu gostaria que tivessem sido escritas de outra forma.

A primeira coisa que me chamou atenção no livro, inicialmente de forma negativa, foi a miscelânea de linguagens. É redigido em terceira pessoa com um capítulo em primeira. Usa linguagem fluída e simples quando retrata o dia a dia dos jovens protagonistas, e uma rebuscada e mais complexa quando retrata o Sonhar, um outro plano onde nos encontramos quando dormimos. Eu já li livros assim e gostei muito. Neste me soou misturado demais, informação demais e não gostei. Não pareceu natural ou bem encaixado. Podia ter menos altos e baixos na linguagem. Do meio do livro para frente este mal estar se desfez e passou a ter mais coerência para mim estas mudanças.

A segunda coisa que me deu a sensação de turbilhão, de 'demais' foi a inserção de uma mistura de crenças, religiões, seitas, grupos, mitologia. Muita, muita informação. Alguns podem achar confuso. A ideia era juntar tudo numa coisa só, em uma centralidade onde tudo converge. Pensamento legal, mas que também só ficou mais harmonioso ao longo das páginas do meio para frente.

Os protagonistas - Mikael e Ariana são jovens atletas talentosos e famosos. Eu sinceramente não gostei muito de eles serem esportistas, não vi muita harmonia com o todo da estória que se desenrola ao longo de muitas páginas. Sei que vai ter quem vá me criticar, mas sinto como se fosse um nacionalismo forçado inserir os grandes personagens da estória como esportistas - jogador de futebol e ginasta. Não sei, sempre achei que o Brasil se destaca demais em uma infinidade de coisas muito bacanas para sempre centralizarmos nossos heróis nos esportes - pesquisa científica é uma delas (tá, parei, não falo mais disso, não é o objetivo da resenha). Pude ver de forma mais tranquila este aspecto e tirar meu mal jeito, quando o autor inseriu aspectos no final que, de certa forma, justificaram o porquê de Mikael ser atleta. Tá bom, ficou menos mal... Além disso o crescimento de Mikael no plano no Sonhar é tão forte e bem feito que eu o via como um moleque inconsequente, chato e sem conteúdo no começo, e terminei o livro vendo-o como um adulto responsável, forte, decidido e bom. Se fosse um filme, acho que seria difícil para o ator representar facetas tão diferentes de um personagem.

Tem outro aspecto que me chamou atenção. Fatos citados como consequências de situações acontecidas no plano do Sonhar. Algo lá refletia no plano físico e estes reflexos muitas vezes me soaram familiares, coisas que realmente vi acontecer. Achei uma jogada genial do autor. Já vimos autores que se destacaram no universo literário pela facilidade de misturar realidade e ficção de forma factível não é? Mas eu estranhei um detalhe. O espaço-tempo me pareceu destoado. Em vários pontos parecia que tudo que estava acontecendo no Sonhar era algo atual, dentro da mesma contagem de tempo do plano físico. Mas o autor cita fatos de muito tempo atrás, junto com fatos atuais - inclusive citando obras e autores 'da moda', como consequência das guerras no Sonhar. Eu me perdi sinceramente... Além disso nas passagens que citava as consequências no plano físico, a passagem terminava com uma frase do tipo: "E os assassinos, até hoje, caminham impunemente". Mas não estava acontecendo naquele momento? Então a frase fica sem sentido. Bom, isso me deu um nó no cérebro. Gostei e não gostei ao mesmo tempo. Na mesma intensidade.

Outros pequenos pontos que me martelavam a mente enquanto lia: Os deuses se apelidavam constantemente em seus diálogos. Achei desnecessário, diante de um livro com tanta informação. Tinha hora que me perdia de quem falava com quem. E termos em caixa alta. Vários, o tempo todo. Não gostei. E os longos discursos ou diálogos sobre 'o homem de hoje'. Não gosto destes rompantes de livro de autoajuda no meio da ficção e fantasia.

Aí você deve estar se perguntando: Nadja, então porque deu cinco para o livro, se tem tanta coisa que desgostou? Explico.

Draccon faz uma junção de fatos e acontecimentos não muito bem explicados ou entendidos, posturas que as pessoas assumem e que ninguém entende, e dá um significado. Junta vários planos além do físico e traça um caminho de ação e reação, de escolha e consequência que clareia os porquês. O autor insere na fantasia a justificativa para os sonhos, para a esperança, para o bem. E esta parte não soou apelativa ou forçada. Pareceu-me claro, verdadeiro, realmente plausível e justificável. Tudo é consequência. Simples assim. O que fazemos - ou deixamos de fazer - aqui, reflete nos outros planos e vice-versa.
"Capitão... - ele disse, focando no súdito - acaso sabes como calar a voz de um demônio em batalha?" O capitão talvez tenha sabido um dia. Mas não naquele. "Hoje não sei, majestade..." "Diga a ele: Eu sou a Esperança."

Além disso tenho de tirar o chapéu para Draccon em passagens graciosas, como o fato de o fio de prata que nos mantém ligados quando estamos, sob uma perspectiva, em dois planos ao mesmo tempo, ser um frio traçado de trilhões de cordas... Ficou lindo de se imaginar.

Lindo também a ligação com Dimas. Se você não sabe de que Dimas estou falando, leia o livro... Vai concordar comigo que é uma referência bem bacana!

O autor cita várias vezes obras atuais, grandes autores e os insere muito bem na trama. Não parece um parágrafo à parte... É quase como que se eles fossem também de certa forma personagens da trama. Magnífica a cena da árvore dos escritores... Nem que seja para visualizá-las e nada mais, já vale a pena ler todas as suas 352 páginas.

Os diálogos são rápidos. Para mim, um dos pontos mais importantes. Odeio, odeio mesmo quando o autor insiste em explicar quem fala o que, sem deixar que o leitor entenda por si só. "Fulano disse:; Beltrano respondeu:; Aí virando-se Ciclano comenta:" Ahhh, cansa, irrita. Odeio diálogos engessados e os de Draccon, sem dúvida não o são. Altamente fluídos.

Fluído também fica o livro depois de um certo ponto, e, apesar de ter sequências longas de diálogos e cenas de guerra com riqueza de detalhes que pareciam excessivas, não dá para não ler. Queremos saber o que vem depois e depois e depois. Os cortes de cena entre os dois planos vão sendo feitos cada vez mais rápidos e cadenciados que a gente se sente viajando para lá e para cá com nossos fios. Havia tempo que não me sentia literalmente viajando nas páginas de um livro desta forma. Sentia na pele a transição de um lugar para o outro.

Existe romance? Sim. Ele está lá permeando tudo, mas sem ser, nem de longe, o mais importante. Mas ao mesmo tempo, o amor entre os dois é o que dá sentido a tudo. Tudo é por eles. Tudo acontece por eles... Ou por... Ah, bom... Melhor você ler para entender. Tem um lance do avatar lá no plano do Sonhar que foi a sacada bacana, genial e fofa no finalzinho do livro. (E nem adianta ir lá no final e ler, porque você não vai entender o contexto. Tem de ler o livro todo, ok?).

E existe guerra. Claro. Muita guerra, muitos seres fantasiosos medonhos! Muito bem explicados e apresentados pelo autor. Me lembrei de quando assistia os filmes de Freddy Krueger e tinha um certo receio em dormir. Draccon me causou, ao mesmo tempo, medo dos sonhos, e esperança que só se configura neles.

Recomendo a leitura. Calma, despretensiosa e apaixonada leitura.

"Esta resenha foi originalmente redigida por mim para o Site Papiro Digital, da qual sou colaboradora. Veja o post original clicando aqui."

Novos Moradores da Estante #15

Olá leitores, como vão???

Janeiro terminou, então vamos à apresentação de quem chegou aqui na Estante desde o ano passado! 

Como comentei no post 'Novos Moradores' de Dezembro, evitei fazer compras neste mês. A ideia era não comprar nenhum mesmo, mas calma, ainda estou em processo de adaptação neste lance de me controlar na compra de livros!(Não, não é fácil! Sim, é mais difícil do que eu esperava!^^)

Então, dos livros abaixo alguns foram comprados (sempre em promoções escandalosamente imperdíveis), outros vieram de parcerias, vamos conhecê-los?

 
Os que comprei foram:

O Menino do Pijama Listrado - Este livro eu já li, emprestado de uma amiga, e sempre quis tê-lo em minha estante... É triste demais, mas de vez em quando gosto de leituras assim.

O Pesadelo - Sempre que vou na Livraria Leitura este livro me chama atenção, não sei bem o motivo. Desta vez ele estava em um preço especial, então ele veio comigo embora.

Apaixonados - Histórias de Fallen. Como gostei muito desta série, adquiri para ler as histórias de amor relacionadas... Espero que seja bonitinho... ^^

Tara Duncan na Armadilha de Magister - Comprei este livro só por causa de uma frase da capa: 'A irmãzinha francesa de Harry Potter'... praticamente nos obriga a comprar né? O problema - que eu soube somente depois de chegar em casa - é que, apesar de ter um colossal número UM na capa, este é o SEXTO, isso mesmo, o sexto livro da série... Realmente não entendo porque cargas d'água a editora resolveu publicar no Brasil a partir do sexto volume! Alguns leitores disseram que até dá para imaginar o contexto, porque entender mesmo a fundo, não dá muito certo não. Desanimei, agora nem sei se vou ler, vamos ver... :/

Em Busca de Zoe e O Segredo de Jasper Jones - eram livros com preço especial na Livraria Leitura e trouxe pra casa. Li algumas coisas sobre eles e acho que vou gostar muito... ;)

Os que vieram sem que eu tenha comprado! ^^

A Arte de Produzir Efeito sem Causa - Veio da Editora Cia. das Letras, através do site Entrando Numa Fria (vocês sabem que sou autora neste site, né?) Em breve sai a resenha!!!

Zorba, o Grego - Comentei com minha cunhada que gostava de Nikos Kazantzakis, daí ela me deu este... Adorei o presente! 

O Mundo pelos Olhos de Bob - veio da Editora Novo Conceito, também através do ENF. Podem conferir a resenha aqui.

A Maldição do Titã - eu tinha 4, dos 5 livros da coleção Percy Jackson, daí meu marido encontrou este volume super novo num sebo de Campinas, e me deu de presente... Coleção completa! Agora só falta ler! (não, eu ainda não li, pasmem!)

Crescendo na Fé - presente do meu sobrinho. Disse que leu e é lindo... Em breve trago a resenha também. :)

Paralelos - Este veio da Editora Geração Editorial, através do site Papiro Digital (que também sou resenhista). A resenha você pode conferir aqui.

Paraíso - lindo romance, delicioso de ler. Veio da Autora parceira, Deyse Nicoli, e você pode ver a resenha aqui.

 Além dos livros físicos, recebi também da Editora Leya, através do site Papiro Digital o Ebook Fios de Prata. Também estou lendo e a resenha será postada em breve.

Bom pessoal, foram estes que chegaram aqui nas últimas semanas. Vocês conhecem alguns? O que acharam deles?

Comentem e concorram no TOP Comentarista de Fevereiro! Um prêmio imperdível te espera!!! :)

Beijos e boas leituras, sempre!!!

Resenha | Paralelos | Leonardo Alkmim


Título: Paralelos

Autor: Leonardo Alkmim

Editora: Geração Editorial

Páginas: 430



Sinopse
Em um terrível acidente rodoviário, Alexandre morre, mas seu irmão gêmeo Vítor, surpreendentemente, sobrevive. No entanto, ao despertar numa dimensão paralela, autossuficiente e resguardada por instâncias elementares, como o Horizonte de Energia, o Conselho, Deus e os anjos, Alexandre descobre que deveria ter sido salvo e Vítor morrido, equívoco que coloca em risco rodo o funcionamento do cosmos. Embora em dimensões diferentes, os gêmeos precisarão lutar para restaurar o equilíbrio do Universo. Uma aventura fantástica, surpreendente e rica em seus detalhes mais sutis, que arrebata o leitor com todas as suas surpresas e revelações a cada capítulo, além de conquistá-lo com seus personagens ora cativantes, ora assustadores, porém sempre muito interessantes e bem construídos.


Resenha
Denso. Forte. Inteligente.

Comecei a ler Paralelos sem muita certeza do que ia encontrar. A capa me lembrava algo futurista, a sinopse uma aventura com um toque de suspense e ficção. Paralelos é tudo isso e mais, muito mais.

Os gêmeos Alexandre e Vitor estão em uma viagem com a escola e algumas coisas típicas adolescentes acontecem. Tudo natural e comum até que o ônibus em que estavam se acidenta. Exceto Vitor, todos os outros ocupantes morrem. Daí é que a coisa fica complicada. Leonardo (o autor) nos leva para dimensões paralelas e discussões sobre o apocalipse.

Mas espere. Não são dimensões paralelas destas que a memória dos filmes de ficção nos remete, com portal brilhante e tempo de abertura pré programado. Não. É uma dimensão paralela que nos transporta mais para o mundo dos anjos – mas o livro não faz visualizarmos anjinhos de cabelos louros e encaracolados nem ouvimos sons de harpa enquanto lemos. É algo bem mais plausível, embora fantástica, entende? São dimensões que se interagem e se relacionam e uma não existe sem a outra. Uma depende da outra, uma colabora com a outra.

Neste sentido de colaboração é que acontece o problema. Devido a uma falha, o Cosmo está em perigo. O Universo pode ruir. É isso mesmo, leitor e leitora. Não é um apocalipse do fim do mundo, do nosso querido planeta Terra. Com esta falha, pode acontecer o apocalipse do Universo como o conhecemos. Ou da forma que achamos que conhecemos. O Universo deixa de Existir (Existir, aqui, tem inicial maiúscula devido a sua importância no contexto do livro. Existir é a peça chave).

Aí você pode pensar que: ‘ahh, fim do universo é um pouco demais. Já não gostei’. Sinto informar, mas não é bem assim. O autor usa de argumentos que tornam o impossível em verossímil. Ele prepara de tal forma tudo que faz a gente achar que: ahn, bom, bem, realmente pode ser assim mesmo! Ele usa termos como estrutura subatômica, bárions, prótons, nêutrons, léptons, antibários, elétrons, múons e taus. Usa Horizonte de Energia, O Conselho, Deus, Universo, Big Bang. Equilíbrio e Desequilíbrio. E quebra nossos paradigmas.

Embora tenham todos estes elementos citados acima, o livro não parece uma aula de física quântica. É ágil, gostoso de se ler e nos faz precisar urgentemente saber o que acontece na página seguinte. Eu não consegui parar. Li em horas (e o livro tem 429 páginas).

Tem uma estrutura que gostei muito. É dividido em 3 partes com capítulos pequenos. Alguns muito pequenos, com apenas um parágrafo. Achei genial. Outro ponto muito interessante é que ele é narrado em primeira e terceira pessoa de forma simultânea. Em primeira pessoa quem narra é Alexandre, o gêmeo morto no acidente. Ao longo dos capítulos hora estamos com ele contando sobre si, hora temos um narrador contando o que acontece em outros ambientes, cenários e paralelos.   O diferencial é que na terceira parte do livro, quando há uma significativa mudança em Alexandre, o livro passa a ser totalmente narrado em terceira pessoa. Isso ajuda demais no entendimento de que a mudança nele é substancial. Acima do que entendemos por mudança. Ele deixa de nos contar.

Além deste aspecto, me chamou atenção a diferença na linguagem. O Alexandre é jovem e sua linguagem é característica. É engraçado, ri de suas próprias mazelas e fala de forma a conversar com o leitor. Ri com ele e dele diversas vezes. Já o narrador quer nos inserir na temática destas realidades paralelas, da sinergia do Universo como um todo e das terríveis mudanças que podem acontecer, além do entendimento de como tudo começou (TUDO mesmo, o Universo, o Conhecimento, Deus… tudo mesmo). Portanto, quando o narrador é quem nos apresenta a estória ela é dita em uma linguagem condizente com o tema. Perfeito, sério e inteligente.

Falando em Deus preciso fazer um comentário com vistas a não causar estranheza. Não é um livro religioso. Fala de Fé, de Deus, da Origem e tal, mas de uma forma extremamente científica. Não desmistifica a religiosidade nem a fortalece. Religiosos e não religiosos podem lê-lo sem medo de ficarem escandalizados, nem tampouco serão defendidos.

A aventura em si permeia toda a trama. Existe perseguição, existem momentos de tensão, existem reviravoltas que nos arrepiam. Posso dizer que é uma narrativa que deu certo em tudo, em suas mais diversas nuances, em cada um dos seus fótons. ;)

Paralelos me encheu de encanto. Gosto muito de leitura inteligente e ela é sem dúvida uma delas. A Diagramação é bem feita, não encontrei erros (embora confesse que não prestei tanta atenção a isso, então posso dizer que nenhum erro me saltou aos olhos). Como já disse acima tem capítulos bem curtos, letra em tamanho ideal e páginas amareladas.

Se você quer uma leitura que te prenda e te faça pensar, esta é a pedida! Grandemente recomendado!

Esta resenha foi redigida originalmente por mim para o site Papiro Digital, da qual sou colaboradora. O livro foi gentilmente cedido pela Editora.

Resenha | A Corte do Ar | Stephen Hunt


Título: A Corte do Ar

Autor: Stephen Hunt

Editora: Saída de Emergência

Páginas: 544

Skoob

 


Sinopse
Nesse aventura repleta de drama e ação, Molly carrega em seu sangue um segredo que a torna alvo de inimigos do Estado. Já Oliver é acusado de assassinato e precisa fugir para salvar sua vida. Logo, os dois se juntam para lutar contra um antigo poder que parecia derrotado havia milênios.

Resenha
Complexo!

Vale a pena ler nem que seja somente pela oportunidade de conhecer uma narrativa diferente, embora este não seja seu único trunfo. A narrativa é tensa, completa de detalhes e situações. Tem de ler devagar, acho que é um dos livros que mais tempo levei para ler nos últimos tempos, mas valeu a pena. É muito interessante isso. Eu li devagar não porque a leitura não me interessava ou por ser monótona. Muito longe disso. O autor consegue inserir uma grandiosidade de novidades e vertentes em cada página que simplesmente não dá para ler depressa. Foi uma novidade para mim, que sou a ansiedade em pessoa e quero saber o que acontece na página seguinte antes mesmo de ler a atual!

Outra coisa diferente neste livro foi o fato de envolver no enredo steampunk muitas características de luta pelo poder e política. Eu conheci o gênero lendo Alma? e Metamorfose?. Ambos são mais centrados na fantasia, consequentemente eu associei o steampunk mais à fantasia do que à realidade… mas o fato é que o gênero não se prende a um só caminho. Stephen Hunt mistura magistralmente magia, ficção, guerras, intrigas, lutas, artimanhas, cenários fantásticos, máquinas a vapor, seres incríveis, muita política e muita realidade.

Os personagens centrais, Molly e Oliver, são bem apresentados e me pareceram personagens fortes desde o início. A saga de ambos é apresentada de forma alternada inicialmente. Como é narrado em terceira pessoa podemos vivenciar e perceber o ambiente e as situações em que cada um está antes que seus destinos se cruzem. Daí em diante a estória pega fogo!

Tudo acontece num emaranhado de cidades, governos diferentes e impositores, situações políticas bem demarcadas… autoritarismo, comunismo, monarquia, república. Junto a isso, poderes, magia, oráculos, diversidade incrível de raças, homens, animais e máquinas nem sempre muito definidos, na verdade eles se misturam com muita facilidade. Segredos vão sendo apresentados e vão ditando a sequência da estória, de uma forma que dá pra impressionar o leitor. Hunt tem uma mente bastante complexa! ^^
Não sei se mais alguém teve a mesma impressão que eu, mas a capa me lembrava um submarino. Fiquei com este pensamento mesmo que o nome me mostrasse exatamente o contrário não é? Haha. A Corte do Ar é, literalmente uma Corte, politicamente falando, e sim, fica no ar. Tive de fechar o livro e olhar demoradamente de novo para a capa para tirar a primeira impressão e me sintonizar na corte corretamente!

Por falar em capa, o que é isso Saída de Emergência??? Diagramação, capa, detalhes, folhas, tamanho da letra… tudo simplesmente impecável! Digno de louvor! Se a sequência toda estiver dentro deste mesmo padrão, posso dizer que toda estante que se preze TEM que ter todos eles lá na altura dos olhos, na melhor prateleira! Gostei demais e duvido que alguém possa me contestar.

Tenho a impressão de que os próximos volumes devem ser mais ágeis do que este. Realmente o ambiente é muito complexo e muitas descrições são necessárias para inserir o contexto todo. Estou nesta expectativa do próximo. Vou marcar na minha agenda de reler este volume nas semanas que antecedem o lançamento do segundo volume (prometido para 2014)para novamente me inserir em Chacália. Que Stephen Hunt continue nos surpreendendo e prendendo com seu novo universo! Quer ler algo novo? Leia A Corte do Ar!

Dica: Ao ler, comece pelo final. Não!!! Não pelo final da estória, mas pelo final do livro. Página 538, Glossário de Chacália. Vai ajudar bastante no entendimento de tudo! E leia também o texto de Stephen Hunt sobre o livro, publicado na Revista Bang, da Editora Saída de Emergência (clique aqui).

Esta resenha foi originalmente redigida para o site Papiro Digital, da qual sou colaboradora. Recebi A Corte do Ar de cortesia da editora SdeE para esta resenha.

Resenha | Almanova | Jodi Meadows



Título: Almanova

Autora: Jodi Meadows

Editora: Valentina

Páginas: 288




Sinopse
Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu... e ninguém sabe por quê. A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre... Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto -- de Ana os deixarão viver essa paixão em paz? Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

Resenha
Almanova é um livro intrigante e novo. Primeiro volume da Trilogia Incarnate, traz à tona um enredo centrado na reencarnação. Tudo ia muito bem e tranquilo num mundo com um número exato de almas, que iam e vinham entre vidas e mortes e renascimentos. Tranquilo até que Ana nasce, uma alma nova, em substituição a outra que nunca mais reencarnou.

O livro é narrado em primeira pessoa e nos faz sentir o deslocamento que Ana vive na trama. Ela precisa se adaptar a tudo, visto que é rodeada por almas que já reencarnaram centenas de vezes e existem há muito tempo. Ao longo das páginas Jodi consegue nos inserir no contexto todo, mesmo usando a visão limitada de alguém que chegou agora para descrevê-los. Somente no quesito ambiente que fiquei um pouco perdida, não consegui visualizar claramente os ambientes de Hearth e talvez tenha de lê-lo novamente para me centrar neste ponto e visualizá-la melhor.

O aspecto da reencarnação constante e ciente é uma visão extremamente nova. No início soa estranho o fato de uma pessoa se lembrar de tudo a respeito de suas vidas passadas, as quais poderiam ter sido tanto como mulher quanto como homem. Os relacionamentos traspassam a vida atual, então um casal hoje pode se encontrar em um novo renascimento no corpo de duas mulheres, por exemplo. O que não faz com que o amor eterno entre as almas gêmeas seja prejudicado.

A fantasia é bem presente em diversos pontos. Seja no templo que tem paredes que pulsam como vivas, seja nos dragões que cospem ácido ou nas Sílfides que queimam. Porém a centralidade da estória é saber “quem ou o quê” é Ana, a única almanova entre todas as almas viventes. Para isso a trama sugere intriga, intolerância, medo do novo, crença.

É claro que o romance não é deixado de lado, assim como suas limitações. Ana é nova e tem um encanto correspondido por uma alma reencarnada centenas de vezes, que hoje se apresenta como um jovem musicista extremamente talentoso. Como não poderia ser diferente, o enredo nos faz ficar torcendo pelo desfecho deste carinho entre eles durante umas boas páginas, o que vale muito a pena.

Ele tocou minhas notas mais uma vez, mas, em vez de parar depois, tocou a coisa mais incrível que meus ouvidos já tinham ouvido. Como ondas nas margens de um lago, e vento entre as árvores. Havia raios, trovão e tamborilar da chuva. Calor e raiva, e a doçura do mel.
Nunca tinha ouvido essa música antes. Parecia não haver espaço para respirar ao redor do meu coração inchado conforme a música crescia, fazendo-me sentir dor por dentro.
Jodi tem uma linguagem rápida e fácil. Somente demorei umas poucas páginas para me adaptar à forma de colocar os pensamentos de Ana após as falas. Em algumas vezes este pensamento se liga a algo que aconteceu umas linhas acima e até que isso se tornasse natural na leitura eu fiquei um pouco perdida, tendo de dar uma olhadinha acima para entender sobre o que era o pensamento.
Almanova é o primeiro volume de uma trilogia então termina com muitas coisas sem respostas, porém tem um começo, meio e fim de ação e aventura neste livro. Ótimo porque nos deixa a ansiedade pela sequência, mas sem nos obrigar a ficar com a sensação de algo inacabado.

A capa é linda e muito bem feita, com referência à borboleta que tem um papel bem marcado na estória. A diagramação é impecável, com páginas escurecidas e imagens de borboletas em cada começo de capítulo. Não encontrei erros, a fonte tem tamanho bom e as páginas são amareladas. Espero não ter de esperar muito para a continuação – Almanegra – que promete ser ainda mais cheio de ação e aventura.

Esta resenha foi originalmente redigida por mim para o site Papiro Digital, do qual sou colaboradora.